terça-feira, 25 de setembro de 2012


elle se rapporte à
l'existence encore inhumaine.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

 incompreensão não é tristeza. Sentido não é satisfação.

Eu não entendo (como?) o que eu fiz com minha vida.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Tudo me informa de uma derrota, de minha falência. Tudo já ruiu e nem mesmo começou. A herança é esse cansaço sereno, racional. Este grande fracasso matemático.Sem tesão. Escolhas erradas, pesadas, maciças. Tudo impregnado com este gosto de nada, esvaziamento.
O golpe que não é fatal é ainda mais cruel.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

ROTINA

às segundas e às terças finjo que vc não existe.
Quarta, te odeio.
às quintas te perdôo.
Sexta, te espero. Sábado te quero, Domingo, te vejo partir.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Toda vez que te olho por essa tela e esse
nada acontece.


Mas morro
em teu abraço.


Eu não te pergunto porque não sei qual seria minha resposta. E esse seria um fim que por razões diversas, adio.

Amor sem espinhos. Sexo matinal.

                                 Tenho certeza de que não
é você. Sou eu.
Esse nada, nem singular é, não é problema de ninguém, nem é uma questão que a posição geográfica resolva. Me resolvo na ilusão de que seja uma questão. EM ABERTO.
Definitivamente.
E eu acho tão hipócrita dizer que eu não quero que você se importe com meus vazios. Eu não quero é ter que pedir. Os passos de uma dança. Ouvir-falar.A antecipação do futuro é um dom que irrita. ( des-graça?) De qualquer forma é ilógico esperar tudo de uma única fonte.

Amor sem espinhos.
Filosofia utópica. Nem amor, nem espinhos.







segunda-feira, 14 de maio de 2012

Em tese, 

Pela manhã, coração nas pontas dos dedos. Fracciono o tempo alimentando a ilusão de controlá-lo.  Fiz do pragmatismo o ponto-cego de meu abismo. Pequenas pontes, pontos que ligo para desenhar meu espaço, essa dança sem fim. Nas pontas dos dedos, a insegurança de quem lapida não sabe o quê. Observo a tela que desce, com ela, meu corpo COMO SE num Rio. O dedo escorrega pelas teclas como quem borda. Trabalho de todos os dias. A busca da vírgula, do ponto, da palavra. Ler...
 de novo. Acabamento. Cuidado. Fascínio. O fim do dia coincide com o fim da página.
A vida segue mergulhada no silêncio.


quarta-feira, 9 de maio de 2012

Entranhas mouras, olhos pardos. Extremidade, imensidão.
Desespero com tranquilidade -como quem caminha pelo cemitério.
A vida não se limita ao Hoje.  Tudo se desloca por entre piedade e sedução.
Nunca vi ninguém sacrificar suas premissas. Não quero salvar
ninguém.

terça-feira, 1 de maio de 2012

a primeira coisa com que me re-familiarizei foi o céu da cidade em que nasci, quase quinze dias depois de ter aterrizado. Ainda que seja impossível esquecer de como o bafo quente e úmido do Rio de Janeiro em meios de abril me pareceu acolhedor. Nos olhos de todos o abismo que se chama vida. Isso não me surpreendeu - era o alimento que mais me faltava.

Bases fincadas. acampamento armado. Território razoavelmente demarcado. Último suspiro na madrugada de um dia que não tardará em raiar.
Hora do show.

quinta-feira, 29 de março de 2012

A palavra cala seduzindo. Beijo distante, olhar de soslaio. Sussurro ao pé do ouvido. Sorriso de meia boca, Quase, talvez... depois. Nunca mais. Sempre.

Adiar, dissipar, cortar.
Teto. Céu aberto, malas feitas.

Tudo evapora. E num como outro, o casaco que fica é a metáfora de que cada possibilidade que jamais se concretizará. O real é lacunar porque mergulha em cada possibilidade com a potência irrealizada de um suicida.

E Tudo é o  quarto vazio, o efêmero de uma tarde ensolarada. Outro, dia. Um dia qualquer.

domingo, 18 de março de 2012

Travessia.                                                        É primavera nos dois lados.


 O que deixo não é muito.Vejo já esvair. Tem qualquer amargo no partir, deixar, encerrar
 tudo em que , na irrealidade em que se realizou, existiu.
 Mas, existência inexistente - mãos incapazes de se (a)pegar.
PLENA INEFETIVIDADE.
No outro lado,
as linhas são outras.
Nem os olhos são os mesmos. O coração sim, sempre vazio.



Atravessar,
desejável e  abominável - O mesmo mergulho-  alívio, alegria, solidão.