sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Tomo, sem explicação, um porre.
Tomo tudo como gentilezas que não compreendo.
Eu quase (não) compreendo. Eu vivo doente de tanto ler. Rostos, monumentos, mapas, atitudes, gestos, linhas, códigos culturais, livros, gente, vida. Minha vida. Se a minha cabeça não doesse tanto, eu já não acreditaria em mim mesmo.
Na minha vida, na minha escrita, minha vida. Eu não faço nenhuma ideia do que isso significa.
Corpo como obstáculo. A mais frágil figuração. Desaparecer como único desejo, como realização do meu destino. Sumir.
A cada dia desapareço um pouco mais. A cada dia pareço um pouco mais com o que quero ser : leve, transparente,
sem apetite, sem corpo, sem rosto, sem espelho.
E tomo nota.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
entre uma forma sem ser e um ser sem forma, eu fico com o abismo de um futuro anterior "puramente" fantasmático. Esse ontem que tudo esperava do amanhã. Toda esperança sem permissão.
O destino dos homens... eu não sei. Mas o meu é ser elástico. Self que desbravo como mata-virgem para descobrir NADA e NUNCA, tal e qual - todos os dias. Transformar precariedade em alimento, cada privação, mais uma máscara.
Nada disso é muito sério.
Esse foi o dia em que aprendi a sair sozinha. Gerenciar perigo e tédio. Ser generoso como um mal-necessário. Você está realmente ali? Realmente... realmente, de fato, na verdade...
cada vez mais uma piada sem graça.
Todas as investigações sólidas provam que nada existiu realmente.Eu errei porque não acreditava no dever-moral e todo seu poder corrosivo. Contudo, cada dia passa justamente para provar que nada existe. As boas lembranças são aquele museu que você passa pela porta e pensa: amanhã... e sabe que vai embora sem jamais entrar. Ou, aquele livro na estante empoeirada.
Todo esse cinismo revisitado que se chama écriture.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Eu pareço horrível, toda esticada que estou. Toda amassada. Toda no limite de quem eu sabia ter sido. Toda em silêncio. Toda ouvidos. Toda errada. Toda sem solução. Toda esquisita. Quem agora? tá, eu sei que todas as pessoas são o paradoxo de um infinito delimitado. Mas nada me acalma.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
sexta-feira, 24 de junho de 2011
sábado, 21 de maio de 2011
terça-feira, 17 de maio de 2011
sábado, 30 de abril de 2011
terça-feira, 19 de abril de 2011
domingo, 3 de abril de 2011
Eu expando, logo sou.
Mas nunca existi, a não ser em alguma história que eu mesmo inventei pra distrair do tédio que me causa a existência, tão grosseira e cansativa.
Por que é tão provisório este ser de parte alguma, este não-lugar, esta estrada...
Não tenho casa e me lanço.Enlaço.
Eterna fixação nas possibilidades infinitas que se abrem a um horizonte vazio e azul.
Sem amargura.
Sei que ser partido é ter que partir sempre rumo a vastidão inalcançável.
Este mundo entremundos...sem limites, sem finalidade.
Esta margem do meio...
Esta ânsia que é azia e gozo.
Este maremoto que causo todos os dias em um copo d’água.
Este teu sorriso quase velado, teu silêncio, teus olhos e suas mãos...Não, não é paixão. È mais um repousar ardente, efêmero, no inefável.
_ não faz sentido.