segunda-feira, 14 de maio de 2012

Em tese, 

Pela manhã, coração nas pontas dos dedos. Fracciono o tempo alimentando a ilusão de controlá-lo.  Fiz do pragmatismo o ponto-cego de meu abismo. Pequenas pontes, pontos que ligo para desenhar meu espaço, essa dança sem fim. Nas pontas dos dedos, a insegurança de quem lapida não sabe o quê. Observo a tela que desce, com ela, meu corpo COMO SE num Rio. O dedo escorrega pelas teclas como quem borda. Trabalho de todos os dias. A busca da vírgula, do ponto, da palavra. Ler...
 de novo. Acabamento. Cuidado. Fascínio. O fim do dia coincide com o fim da página.
A vida segue mergulhada no silêncio.


quarta-feira, 9 de maio de 2012

Entranhas mouras, olhos pardos. Extremidade, imensidão.
Desespero com tranquilidade -como quem caminha pelo cemitério.
A vida não se limita ao Hoje.  Tudo se desloca por entre piedade e sedução.
Nunca vi ninguém sacrificar suas premissas. Não quero salvar
ninguém.

terça-feira, 1 de maio de 2012

a primeira coisa com que me re-familiarizei foi o céu da cidade em que nasci, quase quinze dias depois de ter aterrizado. Ainda que seja impossível esquecer de como o bafo quente e úmido do Rio de Janeiro em meios de abril me pareceu acolhedor. Nos olhos de todos o abismo que se chama vida. Isso não me surpreendeu - era o alimento que mais me faltava.

Bases fincadas. acampamento armado. Território razoavelmente demarcado. Último suspiro na madrugada de um dia que não tardará em raiar.
Hora do show.

quinta-feira, 29 de março de 2012

A palavra cala seduzindo. Beijo distante, olhar de soslaio. Sussurro ao pé do ouvido. Sorriso de meia boca, Quase, talvez... depois. Nunca mais. Sempre.

Adiar, dissipar, cortar.
Teto. Céu aberto, malas feitas.

Tudo evapora. E num como outro, o casaco que fica é a metáfora de que cada possibilidade que jamais se concretizará. O real é lacunar porque mergulha em cada possibilidade com a potência irrealizada de um suicida.

E Tudo é o  quarto vazio, o efêmero de uma tarde ensolarada. Outro, dia. Um dia qualquer.

domingo, 18 de março de 2012

Travessia.                                                        É primavera nos dois lados.


 O que deixo não é muito.Vejo já esvair. Tem qualquer amargo no partir, deixar, encerrar
 tudo em que , na irrealidade em que se realizou, existiu.
 Mas, existência inexistente - mãos incapazes de se (a)pegar.
PLENA INEFETIVIDADE.
No outro lado,
as linhas são outras.
Nem os olhos são os mesmos. O coração sim, sempre vazio.



Atravessar,
desejável e  abominável - O mesmo mergulho-  alívio, alegria, solidão.


sexta-feira, 9 de março de 2012

"Eu reinei no que nunca fui"
No regresso, houve um dia em que me lembrei de sua face, e de tudo. E resolvi que, voltando, seria antes de tudo distante. Na persistência da ausência, irrealização. Tudo sempre foi uma questão de expansão e de abandono. 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Budapest
Os dias contam sempre para menos. A incongruência sempre vence a sincronia. Não haverá carnaval suficiente para tanto vazio, meu, teu, dele, distância - nosso lugar nenhum. A instabilidade é perene, e eu, de fato, acho bonito somente na poesia estar à deriva. Na vida, deriva é caos, precariedade. Uma debilidade sem fim, estar à mercê, ao leo. Mas o Acaso, como a poesia, não é escolha. É condição.
Amanhã verei o Danúbio, finalmente o azul do Danúbio.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Eu não tenho medo de ter ido tão longe de mim pensando em você que tenha me esquecido, pois eu nunca estive. Eu tenho medo de ter ido tão fundo no pensamento da tua ausência que não saiba mais viver sem ela.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Explicar, explorar, desencontrar... escrever. Este fim que chegou aos poucos, onde o Evento aconteceu faz tanto, e só agora consolidou seu abismo,
a irreversibilidade como indiferença, metáfora triste, desolada. Lãmina afiada. Fio perdido.

Paris, Rio, Bh, imensidão.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Arcádia
casa, abrigo, amigo.
fim da solidão.


Ilusão.