domingo, 21 de abril de 2013

nem todas as linhas ou fonemas seriam suficientes. Mar de incerteza,  maus presságios. Preciso encontrar o ponto de ruptura dessa lógica. 

Respirar. 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Tudo se passa como uma questão de estar disposto. O que necessariamente implica numa questão de exposição, evidentemente. Corpo frágil atravessado por todos os constrangimentos possíveis. Não sou apenas um eu, é uma condição., digamos, transcendental - termo mais fora de moda.
Só uma interpretação bastante otimista pode ver com bons olhos a relação entre desejo e falta. A falta sobrepõe-se ao desejo, em tudo. A precariedade da vida determina que os desejos sejam apenas olhar para fora da janela e, por um suspiro, pensar que o mundo está longe o suficiente para não te fazer mal.


quarta-feira, 27 de março de 2013

Não sei com quantos paus se faz uma canoa. Sinto apenas que a água escorre na direção que pode. Não escolhe, segue. Cega e sem sentido. Queria sumir clandestinamente, deixar tudo inacabado. Canoa boiando,   surrealismo vitoriano, gênero provinciano. O que fazer se meu orgulho não é diferente de minha decepção?

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Alguém vive, não necessariamente nós. Há vida em cada instante, mas não há posse. Por isso o abandono exerce tanto fascínio: é a única coisa que é possível tornar-se seu. Deixar é a única ação.
Filosofia do desapego.

Já estou em silêncio. Primeiros passos, vacilantes.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Do outro lado, do lado escuro do palco:


Sentimento sólido, consistente, estável?

-Eu não gosto dessa vista. Não gosto do que vejo. Aqui tudo é vazio e, quando ergo os olhos, vejo apenas mais inexistência, mais inexatidão.
- Não te proponho nada.
- Eu, tampouco, tenho qualquer coisa a oferecer.


Laço de vazio, instantes de nada. Faço contato, tento encostar. Encontro no desvio, resposta ambígua. Nado de braçada na ambiguidade. Território conhecido,
entediante.

É pra isso?

- Não quero que ninguém sofra. Não quero que ninguém sobre. Não gosto de restos nem de podridão.
- Quero partir, de tudo. Só que você é a única coisa que posso deixar. Mas não quero confundir as coisas. Talvez não seja você, seja a vida. Talvez seja você e a vida. Talvez seja apenas eu.
- Sempre. Você não é feliz e desata o laço mais frouxo, acreditando que há alguma lógica nisso.
- É, de fato, lógico:
 um é mais simples que dois.


Clareia-se tudo: música: Fuga in G/ Mozart.



quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Meu coração está do lado esquerdo, mas atrás, nos ombros que me doem. Do pescoço à costela, fazendo uma semi-circunferência hostil e cruel, impiedosa como eu mesmo tento ser. Ainda assim, gosto de me virar esgarçando ao máximo a dor. Tronco reto, linhas duras. Rotação à direita, em direção à janela: Ver o céu cinza azul de um dia de chuva, início da noite e,  as primeiras luzes que se ascendem conformam com o verde das árvores e esse fundo azul acinzentado uma sensação bonita e vazia, de quem não tem nada a fazer a não ser esperar o aberto do mundo. Ou...

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Forço-me a dizer. eu quis ser totalmente diferente, e fui. Certo, não encontrei grande coisa nisso, mas a pura expressão da minha plasticidade: um grande e vazio flexível-reflexivo.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Fazer do difícil um caminho. Não no sentido comercial, do burguês entediado que abraça a vida intelectual ou poética por não saber mais o que fazer com ela. Certamente esse é o melhor destino à alma burguesa, mas isso não faz com que sua experiência seja a transmutação da pedra em água. Porque para ele nunca haverão pedras, e as águas, quando turvas ou tempestuosas, hão de tranquilizar-se pela força mais imperiosa e vulgar: o dinheiro.
Mas não é disso que quero falar. Quero falar do que nas rodinhas se cala, porque não é bonito. Aquilo que nossos amigos não querem ouvir, e apenas os ouvidos mais íntimos entendem.
(...) O que se faz por não haver outro modo e que ainda assim, todos os dias, o não do horizonte obriga a negociar, a se retorcer, a regredir. Porque tudo isso é persistência.
Talvez sem a beleza dos gestos impetuosos, e sem a graça da vitória que embala os belos sorrisos, os bons cortes de tecido, a suavidade de expressão e a limpeza dos belos apartamentos. Mas com a flexibilidade débil da envergadura de um bambu que existe no limite e faz da linha curva o tracejar nada doce, mas preciso.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Dúvida, dívida, grito.

Alma rasgada até a última                 gotinha.
a certeza dos maias,ilusão. com gosto de esperança: Azul-turquesa e rosa-chá.
Correr, escrever, correr, escrever, correr, escrever. Acorda, treme, café. Dorme? não... desmaia.
Vida sem horizonte, vida pra dentro do branco, desdobrada no vácuo imundo que se tornou o tempo de viver.

Amarra o cabelo pra espantar os maus pensamentos; coça nuca em modo autocafuné. Repete como mantra: tudopodeficaraindapior.


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Há pressão. E não há mais nada.
Sempre para baixo. Sem fundo, Sem fim, sem queda. Sempre pressionados, sempre para baixo.
Sufocados, adestrados, castrados. Cada vez mais
baixos.
Navegando no mar de bosta onde nada importa. Todos iguais. A massa. Todos iguais. Para baixo, cada vez mais para baixo. Todos iguais. Todos juntos. Todos mortos. Todos certos. Todos justos. A manada.

A porta da rua é a serventia da casa.