sexta-feira, 11 de julho de 2014

Talvez sejam os hormônios que me levem para fora desse meu lugar de sempre, afundamento, sofreguidão.
a dor do choque dos pés no chão, a cada passo. Até que ponto não somos o fingimento sincero com que nos expomos?
Avessos e solidários.

Eu precisei me resolver sozinha,
-  mas a autopsia sempre requer duas mãos direitas.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Espero pelo tempo enquanto ainda me lembro de esquecer. Pensar em não pensar é igualmente pensar sobre pensar: tédio e auto-reflexão tem a mesma emergência, a mesma raiz. Enquanto  sujo todos os pedaços de significados, vejo minhas unhas se encherem da terra preta do buraco:
Releio frases patéticas na janela branca e estúpida.
 domingo ainda é um dia ruim.



sexta-feira, 6 de junho de 2014

Em menos de 20 anos tudo ficou na mesma, na mesma falta absurda de graça, no mesmo sem espaço e muito tempo, na mesma falta de ação.

e um horizonte todo incrível transformou-se em querer ser funcionário público, pagar 30% de IR, ser um burro de carga burocratizante que compensa sua pequenez obstruindo a vida dos outros.



Vida de merda, num mundo de merda.

sábado, 26 de abril de 2014

Uma vez bem formuladas, todas as questões deixam como único horizonte o fatalismo ou tédio. 
O in-between, as dobras, a margem, a fronteira, a diferença, a embriaguez, o intertexto, variantes para o tédio.
O fatalismo ainda esconde o escândalo do "é assim mesmo".  

 Escreve pouco: andar em círculos não tem o mesmo charme da serpente de Valéry. Mas deixa-te desdobrar a ti mesmo, incansável. Porque, afinal, não tem para onde ir.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Estudos:
Posto que:
O mundo não pode ser originalmente belo.
a natureza das coisas, a variedade do mundo, a fraqueza do homem,
o tédio, o sentimento de abandono e solidão, a angústia de um destino frustrado,
a fúria cega do amor, o absoluto negro do ódio, ruínas sangrentas,
universo de silêncio,
horror das maiores desgraças
Onde a opressão não é uma figura de retórica:   Tudo é Teoria.

terça-feira, 18 de março de 2014

Os homens não podem estar tranquilos,  não podem dormir. Não porque a inquietude seja bela ou fecunda, mas simplesmente porque não se escapa ao tétrico: ele está lá, nas cantigas de ninar, nos amores perfeitos, nas amizades eternas, nos ótimos empregos e nas famílias felizes. Ele também está na crítica pedagógica daqueles que insistem em dizer como seria melhor se do jeito que eles pensam ou sentem. E nas promessas. Nas alianças. Nos corredores das escolas. Nas poesias de meninas que deveriam ter ganho um piano ao nascer e em seus casamentos. Nas bochechas fofas dos filhinhos. Democrático, está nos corações que pensam ser possível, globalmente, escapar ao rancor e, igualmente, naqueles que querem que a força bruta seja o meio para a "outra coisa".
A decisão preparada pela angústia ao engajamento é a tristeza dos olhos da coruja de Minerva.

sexta-feira, 7 de março de 2014

2014.
já foi tanto. mais que muitos.
mas faltam ainda: sempre trabalho.

Um desejo: anamnese  = forte  potência- amplo campo de análise do mundo, das ações, de  mim.

e baixa capacidade de ressentimento.

domingo, 12 de janeiro de 2014


Janeiro perdido.

 O gato dorme faz uma eternidade.

A pesquisa é imensa. Horas e horas de bunda quadrada. Espírito tranquilo. Se fosse somente isso, seria tão fácil viver. O amor na janela e a vida na esquina. E eu e os livros. Surf virtual e café rigorosamente de 3 em 3 horas.  Corridinha religiosa: suar faz bem ao cérebro. Um pratinho no self-service - seria redundante cozinhar no calor. Recomendações médicas. Lá fora o dia lindo ainda mais que o vejo daqui, da sibéria. O Rio escandalosamente quente é um retrato distante.Olho de longe e não entendo.


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Que seria de mim que falo, e o que não seria se eu falo de um tempo como se fosse um outro que também sou eu mas que não é meu?

domingo, 1 de setembro de 2013

o mundo contemporâneo é uma somativa de desgraças potenciais. Além de ter que zelar pelo próprio corpo e mente, ainda é preciso temer pela saúde dos objetos que nos cercam.