sexta-feira, 19 de agosto de 2016

eu entendo que as coisas tenham sempre que dar quase certo. uma pessoa que transformou a tematização das próprias neuroses em profissão - e se vira professor de literatura pelo mais absoluto acaso -,  não pode querer outra coisa a não ser que tudo esteja sempre quase.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

manhãs sempre frias na cidade feia que se chama bela. alguns livros, muitos problemas banais. suspensão na trama existencial para que as coisas possam , por um mísero instante, fazer sentido. depois, logo, tudo voltará ao movimento a esmo e sem direção. 
O momento em que as coisas fazem sentido é, em si mesmo, uma densidade temporal de textura instigante, onde se misturam aquilo que esqueceremos e aquilo que está ainda a frente. Essa densidade assegura seu caráter de êxtase e de suspensão.  
- dialeticamente, portanto, veja bem, o nonsense... 


Voltam a dormir. 

sábado, 9 de julho de 2016

O que é, dentro de uma casa vazia, uma porta? Lá dentro apenas os gatos. Lá fora também está vazio. Palavras girando sem entendimento, mas igualmente sem força. Flutuam por hábito, assim como as ainda-lembranças, destinadas ao esquecimento ou a ressignificação. Há ainda um horizonte esperando virar futuro, amadurecer na podridão das coisas que não puderam ser, ou melhor, naquilo que elas foram, sem permissão.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

aperto sem nome, suave e persistente. Inexplicável.  Espalha-se concentricamente. Nada deixa de contaminar.  Encontra a primeira consciência e o primeiro universo, e a tudo corrói.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

frio. O que ecoa vive só, para dentro e para fora. concha, abismo.

domingo, 5 de junho de 2016

Não tem jogo, Não mais
ficar, ficando. 
Não era tanto. Era onda. Era bom. Era transitório. 
Agora apenas silêncio.
Mas ainda estou aqui. 
 / 

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Ilha amorfa e intratável. Pesada, podre. Infecunda. Doída.
Boiando incomunicável em sua solidão, insuficiência e inutilidade.
Transformando-se em algo,
Eu mesmo.

domingo, 29 de maio de 2016

um atropelamento que não mata, só deixa um cansaço, uma ressaca. Uma dor e uma preguiça, mas também uma falta de entendimento porque, no fundo, não se explica.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Dificilmente volto ao que escrevo aqui, mas me reconforta saber das letras guardadas. Então escrevo sobre hoje, para não esquecer que cruzei a cidade, Flamengo- Gávea- Centro- Flamengo, debaixo de chuva, um dia bizarro, normal, entristecido. Tudo igual, e tudo diferente. Assim é o evento histórico, assim é um golpe de estado. Esse foi assim, pelo menos.

domingo, 1 de maio de 2016

raízes frágeis demais para se aprofundar: o Bambu não é feliz. Não que a profundidade pudesse salvá-lo de tal destino. Todo rumo à superfície já está traçado pelas finas e ramificadas entranhas que o sustentam. O vento molda seu caráter; faz aparecer sua única força: a resistência, essa força nascida da negação. O bambu é um refém do conflito, mas sem ele não pode existir. Ele se curva à tudo, jamais se impõe. Todavia, estará lá.