segunda-feira, 17 de abril de 2017

A normalidade é sempre o mais forte. Força implacável, chocante. A sensibilidade para o absurdo não pode reivindicar nenhuma prioridade concreta em  relação ao normal, que ocupa. O absurdo é real e mortífero. E a vida precisa continuar.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Eu sabia que o tempo estava acabando. Ou meu tempo no Rio ou eu mesmo no Rio. O certo é que nada duraria. O oposto do que sinto agora, em que a duração parece estender-se a um perigoso mas também impossível para sempre.
Tempo e reserva. Não sei se raízes. Duvido.
Mas, colheita.

domingo, 26 de março de 2017

é da varanda que vejo um pássaro que corta o céu como uma ausência sem nome. E vejo as pessoas que atravessam, bêbadas, numa coreografia bizarrra entre os carros que seguem, determinados, seu cartesiano sentido. é da varanda que alguém me vê, cigarro, vinho, pijama,livro, gatos,  a ver?

quinta-feira, 9 de março de 2017

Esperanças, ansiedades e pavores. Quando tudo aconteceu,
sobrou apenas a terrível vitória e solidão.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Tanta coisa,
Pensam de mim, falam de mim, sentem.
Olham por mim, apreciam por mim, sofrem por mim.
Pedem.
Tanta coisa.
Desejam.

E eu:
Fodas

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

começo.  tudo que deveria ser e foi. Como continuar depois de já ter sido?

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

a forma em que escorro, divindade consciente e limitada, voraz contudo. À espera.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

o que nos reúne a não ser a tragédia de existir? Mais importante: a reunião mesmo é a desgraça:  famílias, comunidades, multidões. Estamos todos juntos, ligados. Resta estar ciente dessa verdade enterrada ancestralmente no coração do que seja lá ser um humano e, fingindo, fugir para as Montanhas.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Ontem.
futuro anterior em ação.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

o que é sentir saudades daquilo que se está feliz em ter abandonado?

Como é difícil escrever. Mesmo sobre as coisas boas. Porque tudo deixa um rastro mesmo o não agradável. A escrita é cética. Ela nos faz duvidar mesmo quando tudo aponta para a certeza de que as cosias novas são melhores que aquelas deixadas para trás; Deve ter sido mais simples num tempo em que a consciência não era tão questionada. Apenas a certeza do tempo servia. Mas para um ambiente de tão grande niilismo isso de nada serve. Há certezas. Contudo, mesmo elas se desvanecem ao som da memória, mesmo quando ela é composta de imagens duvidosas. Difícil explicar.
Estou bem,
Tenho certeza de que esse é o melhor caminho e de que não abandonei nada essencial.
E essa hesitação?

Talvez

da certeza de que ainda há algo importante a ser dito. dessa incerteza. da certeza da inutilidade desse caminho e ao mesmo tempo.....

eu preciso estar aqui,

saber me deixa tranquila. isso não é felicidade.

é um caminho.,