domingo, 20 de janeiro de 2019

queria escrever um livro sobre a existência de um perecer. Ouvir não apenas a efervescente superfície. Escutar seu destino. Começar pelo avesso e dele, do fim de tudo, chegar ao existir. Porque assim as coisas são. E por isso mesmo, esse é um livro impossível de se escrever. 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Tenho violenta aptidão para o múltiplo simultâneo, identidade entre necessidade e liberdade, mãos ágeis e os pés-de-vento.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

gritar é esmagar com a voz, berrar é um soco, dói mais e menos que um murro fatal.
quem é capaz de juntar os cacos?
ponto irreversível em que se diz ,com saudade, adeus.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

vida humana desprovida de todo bem próprio, reduzida ao acaso, ao sabor dos humores daqueles que se servem desse esvaziamento; olhar que vê e não acusa, não reclama, apenas tenta compreender as brechas, sempre rudes e frias, ao contrário do que os ainda românticos gostam de pensar. Estar quieto, estar sóbrio, estar entregue ao cada vez mais precário e cada vez mais morto. Quem sobrevive o faz porque morreu primeiro.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Conheci uma mulher terrível. Canalha. Mentirosa. Enganadora. Lasciva. Pessoa da pior espécie.

Ela tinha trÊs

chances.

todo corpo sente
o corpo do outro. o sofrimento do outro. a angústia da escolha. a dificuldade de decisão.

sábado, 1 de dezembro de 2018

Escrevo aqui sempre menos e sempre demais. Não sei explicar. 
Porque escrevo aqui tampouco sei. Por que não paro?
Talvez porque não importe. E porque não importa e não faz diferença, mantenho o espaço. Tentando firmemente escondê-lo e mantê-lo a salvo de qualquer importância.
A mínima luz faz dissolver um vazio de sentido.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

O contraste desejado não inclui a carne aberta pela lâmina. Nem todo o sangue derramado. Nem mesmo o sorriso esperto do trânsfuga, que nesse momento está longe, vendo e não mais.

domingo, 11 de novembro de 2018

Digito no google: O psicanalista sumiu. Variação: o psicanalista desapareceu.
Não parece ser comum.
Viajei e algumas semanas depois, ele deveria mas não está mais la. Nenhum contato, nenhuma resposta. Apenas o silêncio. Então, questões mais ou menos em ordem cronológica: Será que ele se esqueceu? Que filha da puta, eu vim aqui na chuva. Vou guardar o dinheiro e fazer algo bem legal. Será que ele passou mal? Ele desistiu de mim? será que eu sou incrível e o cara achou que eu era demais? Ou será que eu era muito entediante? Será que ele morreu? Será que fiz algo errado? Mas se for isso, fodas. Mas é bizarro.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

impedimento, imobilização, entrave, embaraço, fechamento, estorvo, 
obstáculo, barreira, dificuldade, inibição, interrupção, obstrução, resistência, restrição, travamento.

rodeio, isolamento, 

assédio, sítio, cerco.

bloco, defesa.

O que poderia ter sido. E não foi. 
Toda tensão do meu corpo. Todo silêncio. 

quinta-feira, 26 de julho de 2018

escavação aprofundada discretamente assimétrica. Piloto sem avião, capitão sem navio.
 - cabe a cada um assumir sua revoltante absurdidade e lidar com ela.
- Isso já é ter ( uma)  razão.
- prefiro pensar que estamos condenamos a ser assistidos pelo demônio. E assustados também, por dentro.
- Nesse sentido, o maior absurdo é a metáfora do partir.
- sim, a forma é extrínseca, mas  Ninguém a abandona