quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

ser muitas coisas, mas nem todas. sem auge, apenas resto ou excesso. como vento, entre nós - sendo sem permanecer, forte na medida da resistência oferecida, flexível na medida de sua invisibilidade. Bem-ordenado de acordo com o próprio desatino.


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Mantenho intacta toda minha
irradiação rumo ao nada. Compromisso inatual, quase cafona, esse de querer dedicar-se a si mesmo sem pretender que isso seja mais que cuidar de si. Heroína vulgar de mim mesma, no abismo torcendo para que ele se afaste por mais um dia. Não para sempre.
O abismo deve estar próximo o suficiente para nos jogarmos nele, caso seja preciso.


sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Rilke
sussurra qualquer coisa sobre o difícil.
Eu ouço qualquer coisa
sobre o medo, sobre a falta de sentido.
Sobre a falta de nome das coisas - que é também a falta de deus;
Teve o dia em que descobri  que me matar seria fácil mas só servia o difícil: morrer.
Mas a gente não morre. A gente não vai embora.
Nada acontece.
Ainda estou aqui.



quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Só que ninguém mais ouve isso,  preocupados que estão em fazer seus próprios ruídos, em calar o outro e a si mesmos. O silêncio, assim como o tempo, assusta essa maldita cidade afogada em seu bafo quente.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Todos os dias, por um aperto que vinha de dentro, o nada ganhava uma feição nova. Mesmo que tudo se revire como espera e perda. Não era ainda tempo. A vida é antes do tempo, não importa o que os fenomenólogos digam. Manhã quente, de um verão que não é possível descrever, vendo as pedras dessa cidade, ouvindo Beatles, tomando café, esse nada tomava a forma de uma espécie de intuição de que essa coisa toda pode ser que realmente valha a pena.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

melhor comemorar. Pausa. Alívio. Embriaguez.
mesmo o zero, mesmo o abismo, mesmo a queda, mesmo o quase. Apesar de nada.
Nos apetites, o que resta. E todos os dias seguintes.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Alívio e clareza. A escrita a serviço do meu vazio. Egoísta, mesquinha, mínima. Sem valor. Essa escrita me ajuda a compor, a esclarecer.  Meu lugar, pequeno. Minha condição, precária. Minha constituição, irrelevante. Meus problemas, minha banalidade. Meu gozo, imenso, Minha embriagues, profunda. Meu desespero, abissal. Vejo também com cuidado o que não é meu. As raízes que não devo criar. Os afetos a que devo afastar. O sorriso, a companhia, a solidão.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Produto de forças sempre negativas: desopilar, decomprimir,
desistir e adiar, desviar.
um enorme buraco visto apenas muito de perto.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Toda tempestade precisa de um copo?
céu derramado, rio que corre, corpo que se desfaz.
um novo passo.
nova agenda de pesquisa.
silêncio e gozo. Místico e erótico.
assumir a  heresia: compreender o sagrado.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Se estivesse no terreno das possibilidades do possível, seria, num gesto, desfeita a ambiguidade entre o toque e a carícia - desopilando-nos das biles que brotam da necessária escolha ( se necessária, escolha?)  pelo que perturba.
Fenômeno que se desobriga de entendimento porque sua finalidade consiste em cortar.
E deixar que se reate, no eco do outro.
Cada resposta, um sorriso bobo.
um ponto no tapete,
uma pecinha no mosaico.