segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Teto branco e bruto que me colhe num jardim brando, na cidade que traga todas as luzes.

Onde há serenidade?
Tudo é banal e terrível.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O inalcançável que se metaforiza.

Estrela que vemos pequena.  A fresta que enxergamos enorme.

Para todos é como se eu reclamasse o tempo inteiro, mas se vissem a escuridão que tenho comigo, perceberiam quão positiva é minha postura para a vida.


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Nunca mais, vinte e poucos. Nunca é o fim de tudo, mas todo dia é o fim de qualquer coisa, mesmo que seja somente dele mesmo. A leveza de dizer adeus, todos os dias. A clareza de dizer : não. Isso não vai mais acontecer. Todos os dias é o fim de qualquer coisa. Esses são os dias em que digo adeus à ...
Amar o não, como propriedade da maior afirmação de todas: estar vivo.  Talvez a clareza seja entender que estar vivo já é demais. A gente vive tanta coisa, e ainda assim, apesar e a despeito de todas elas, estamos aqui. Ainda estamos aqui. Aqui talvez seja demais. Opto então pela forma mais econômica, mais forte, mais precisa: Ainda estamos. Não pode ser mais que isso, não deve ser mais. Se ainda há qualquer poesia ela se esconde nas entranhas de tudo aquilo que ainda está, que se arrasta, que se move com dificuldade, que tem insônia, que quer se afirmar e como é difícil, esperneia.  E se não bastasse todo o futuro, tem os passados. Estes chegam sem avisar, sem pedir licença. Eles chegam e
esses fantasmas todos, de todos os erros. Quem é você afinal? Este você que no fim das contas nem importa tanto, mas que faz toda a diferença. E que desafia o sentido. Logo ele, o único capaz de conferir um pouco de forma, dar um pouco de luz.
Eu queria tanto, não, nem tanto. Mas um dia eu quis ser para você, ser para mim em você. E passou, como tudo passa. Como não ser cética quando se entende que não só nada existia, como além disso nada pode existir. E a única coisa que importa é estar aqui. Estou aqui.
E mesmo quando eu for ali, e mesmo quando não mais aqui, eu estarei em algum lugar. No desejo, meu ou de qualquer um . Se não foi o seu, era o meu. E agora será de outro.
Porque eu penso às vezes que tenho só mãos. Eu gosto de dançar para aprender que tenho pés e cintura. Porque isso não é evidente, embora pareça para todos. Mas não. E todos também importa pouco.
Importa que eu tenha dedos, e que eu tenha teclas. E que eu tenha tem

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Lendemain.
Resultado da última constelação: viver predominantemente pelo deleite estético. Isto não é ser artísticamente produtivo, mas ativamente plástico. Precário, incapaz de ser perseverante, contínuo, independente. Se amolda, se adequa, se deixa cativar pelas mais diferentes coisas aos invés de dominá-las. Deixa correr. Espera.Teme. Quer ser mais um, ser tranquilo. Não pode. Sofre.
O pneu em que bóia fraqueja. Respira fundo. Faz as contas. Vê que tudo em volta é mar e medo. FALTA. Não desespera. Abaixa a cabeça e pensa. E sobrevive, sobrevive.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Insisto em entardecer onde amanhece.
Nos olhos de gato cabem o alvo e a quina. Luz quebrada pelo movimento da água, balanço do verde que paira quase amarelo sob um azul pelo qual eu derramaria sangue. Mas na brancura ingênua de um inusitado cisne, tudo se converte em mais um gole de cerveja amarga, pesada, espessa. Um barco, um cigarro.
Quem nos protegerá da falta de acaso?
Começo de dia novo, imenso e fascinante. Noites nas quais o porquê será arremessado pela janela.
A lâmina corta como uma pincelada o céu que se abre ferida deserto espelho vazio luz. Mas já não há mais do que imagem, apalpa e encontra não a dor, mas outro corpo.
agora  o corpo descansa noutro cheiro.




terça-feira, 25 de outubro de 2011

O ser não triunfa, compensa sua debilidade. Eu sei como é ver morrer, e sei desejar a morte. Respeitar a finitude impede ilusões de absoluto. Antevejo, mas fecho os olhos porque escolhi não ser vulgar. Sou dura, não rio demais. não existir seria melhor e na falta de tal possibilidade, existir somente na medida do preciso
em múltiplos progressos e diversas realidades, tantas convicções e copos cheios e mentes vazias. Ontem pela manhã tomei uma bomba, era um dia ensolarado e frio, quase ninguém soube.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Mesmo se suas intenções eram discutíveis, as palavras foram caindo redondas e triangulares. Isso agradou.E,  de qualquer forma  certa misoginia  parece ser o retorno fatal e inevitável  da fala de todo homem. É preciso ser generosa com essa indigência, que é nossa, que é o nós. Esse eu e você,  ficção mais adorável.  Ainda que suponha não poder fazer maiores avanços instrutivos, o corpo e o copo, verdes, vídeos, sons. PAUSA PARA O CIGARRO. Vinho, voilá, prefiro cerveja - uma questão cultural mas apimentada pela minha falta de sofisticação endêmica. Certamente não sabe o que é isso, mas riu assim mesmo. Gosto de pensar que tudo ao meu redor é um espetáculo para o sujeito que foge em mim,  como bicho que corre atento a cada detalhe, cada gesto. Eu e você, eu sem você.Nós que fomos nada, grande dia cinza. Sem frescor. Ficções adoráveis: longe, perto, em mim, quem?

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Prendo o ar, seguro-me debaixo d'água. Preciso morrer afogada.

curar a ferida é abri-la ao máximo, compreendê-la, observar atentamente cada milímetro de tecido ainda esgarçado. Nesse chão onde tudo é perigo, cada passo é a descoberta da falta de abrigo. Os pensamentos devem buscar máculas e multiplicá-las, infectar tudo. a tarefa de pensar é destruir o sentimento para preservar o vivente.
é preciso documentar com lembranças o vazio de sentido de cada experiência. Para tanto, visitar a memória é entrar armado em território inimigo e transformar restos em dor, e a dor em letra. 

domingo, 9 de outubro de 2011

Para estar perto de mim é preciso que eu esteja longe de mim. Se eu estiver em mim não estou, bate e ninguém atende. Toca e não ressoa. De longe venho a mim, me encontro. Não encontro nada, mas ali estou, suscetível de servir de qualquer coisa.
A primeira vez era ferida. A segunda, torpor. A quarta queria ser coragem mas nasceu prematura, entre comodismo  e sedução.
A terceira foi nem nome nem lugar.

As autoridades competentes não sabem dizer sobre a recepção dessas ideias. Ontem estrelas cadentes seriam visíveis em toda a Europa, mas o céu permaneceu encoberto.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Minha caixinha
de concreto é amarela com  a porta azul.

Será que isso é poesia?