domingo, 21 de fevereiro de 2016
As águas que fecham o verão nunca deixaram de nos lavar do calor e cansaço dos três meses mais difíceis do ano - meses em que o vazio existencial se deixa substituir pelo suor que transborda, incessante. Mas, igualmente, e talvez como vingança, as águas fecham o verão apodrecidas por todo tipo de resultado esquizoide desse nosso tipo de habitar o mundo, chove e sobe o cheiro fétido da existência nessa cidade.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
Mantenho intacta toda minha
irradiação rumo ao nada. Compromisso inatual, quase cafona, esse de querer dedicar-se a si mesmo sem pretender que isso seja mais que cuidar de si. Heroína vulgar de mim mesma, no abismo torcendo para que ele se afaste por mais um dia. Não para sempre.
O abismo deve estar próximo o suficiente para nos jogarmos nele, caso seja preciso.
irradiação rumo ao nada. Compromisso inatual, quase cafona, esse de querer dedicar-se a si mesmo sem pretender que isso seja mais que cuidar de si. Heroína vulgar de mim mesma, no abismo torcendo para que ele se afaste por mais um dia. Não para sempre.
O abismo deve estar próximo o suficiente para nos jogarmos nele, caso seja preciso.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
Rilke
sussurra qualquer coisa sobre o difícil.
Eu ouço qualquer coisa
sobre o medo, sobre a falta de sentido.
Sobre a falta de nome das coisas - que é também a falta de deus;
Teve o dia em que descobri que me matar seria fácil mas só servia o difícil: morrer.
Mas a gente não morre. A gente não vai embora.
Nada acontece.
Ainda estou aqui.
sussurra qualquer coisa sobre o difícil.
Eu ouço qualquer coisa
sobre o medo, sobre a falta de sentido.
Sobre a falta de nome das coisas - que é também a falta de deus;
Teve o dia em que descobri que me matar seria fácil mas só servia o difícil: morrer.
Mas a gente não morre. A gente não vai embora.
Nada acontece.
Ainda estou aqui.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
Todos os dias, por um aperto que vinha de dentro, o nada ganhava uma feição nova. Mesmo que tudo se revire como espera e perda. Não era ainda tempo. A vida é antes do tempo, não importa o que os fenomenólogos digam. Manhã quente, de um verão que não é possível descrever, vendo as pedras dessa cidade, ouvindo Beatles, tomando café, esse nada tomava a forma de uma espécie de intuição de que essa coisa toda pode ser que realmente valha a pena.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
Alívio e clareza. A escrita a serviço do meu vazio. Egoísta, mesquinha, mínima. Sem valor. Essa escrita me ajuda a compor, a esclarecer. Meu lugar, pequeno. Minha condição, precária. Minha constituição, irrelevante. Meus problemas, minha banalidade. Meu gozo, imenso, Minha embriagues, profunda. Meu desespero, abissal. Vejo também com cuidado o que não é meu. As raízes que não devo criar. Os afetos a que devo afastar. O sorriso, a companhia, a solidão.
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