quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
quarta-feira, 28 de dezembro de 2016
quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
o que é sentir saudades daquilo que se está feliz em ter abandonado?
Como é difícil escrever. Mesmo sobre as coisas boas. Porque tudo deixa um rastro mesmo o não agradável. A escrita é cética. Ela nos faz duvidar mesmo quando tudo aponta para a certeza de que as cosias novas são melhores que aquelas deixadas para trás; Deve ter sido mais simples num tempo em que a consciência não era tão questionada. Apenas a certeza do tempo servia. Mas para um ambiente de tão grande niilismo isso de nada serve. Há certezas. Contudo, mesmo elas se desvanecem ao som da memória, mesmo quando ela é composta de imagens duvidosas. Difícil explicar.
Estou bem,
Tenho certeza de que esse é o melhor caminho e de que não abandonei nada essencial.
E essa hesitação?
Talvez
da certeza de que ainda há algo importante a ser dito. dessa incerteza. da certeza da inutilidade desse caminho e ao mesmo tempo.....
eu preciso estar aqui,
saber me deixa tranquila. isso não é felicidade.
é um caminho.,
Como é difícil escrever. Mesmo sobre as coisas boas. Porque tudo deixa um rastro mesmo o não agradável. A escrita é cética. Ela nos faz duvidar mesmo quando tudo aponta para a certeza de que as cosias novas são melhores que aquelas deixadas para trás; Deve ter sido mais simples num tempo em que a consciência não era tão questionada. Apenas a certeza do tempo servia. Mas para um ambiente de tão grande niilismo isso de nada serve. Há certezas. Contudo, mesmo elas se desvanecem ao som da memória, mesmo quando ela é composta de imagens duvidosas. Difícil explicar.
Estou bem,
Tenho certeza de que esse é o melhor caminho e de que não abandonei nada essencial.
E essa hesitação?
Talvez
da certeza de que ainda há algo importante a ser dito. dessa incerteza. da certeza da inutilidade desse caminho e ao mesmo tempo.....
eu preciso estar aqui,
saber me deixa tranquila. isso não é felicidade.
é um caminho.,
segunda-feira, 21 de novembro de 2016
O eu de quem falo é alguém de quem me recordo, algumas vezes apenas vagamente. Os amigos-amantes trazem consigo livros eróticos, bebidas e cigarros. E tudo é, aparentemente, desviado e perverso. A correção e correnteza que pautam esse eu tantas vezes distante é subterrânea. Se esconde, estratégia mística, evita tornar-se um exemplo, odeia a pedagogia. Em público, louva o acaso e todas as desgraças, para manter a coragem, a força e o pouco de paz que conseguiu carregar, a salvo. Não se trata, todavia, de um duplo. A antinomia aqui é marcada unicamente por aquilo que deu pra fazer, por isso, a despeito da amoralidade, é rigoroso, necessário e verdadeiro.
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
- você não consegue deixar de ser uma abstração vulgar. Como se pudesse ser somente escrita.
- não é exatamente assim. Dedico-me com radicalidade ao formalismo místico e a uma expressão tão plena quanto vazia daquilo que eu deveria ser. não há posição nem dialética, apenas uma ressonância que não impregna nada. Um zumbido, talvez. Ilimitado mas fora de qualquer razão.
- acontecem coisas que a gente não explica. um tombo, um beijo, o último aperto de mãos. O que importa é algo que não acontece, e mais importante ainda é aquilo que quase aconteceu. Mas isso justifica mesmo uma vida em fuga?
- não é exatamente assim. Dedico-me com radicalidade ao formalismo místico e a uma expressão tão plena quanto vazia daquilo que eu deveria ser. não há posição nem dialética, apenas uma ressonância que não impregna nada. Um zumbido, talvez. Ilimitado mas fora de qualquer razão.
- acontecem coisas que a gente não explica. um tombo, um beijo, o último aperto de mãos. O que importa é algo que não acontece, e mais importante ainda é aquilo que quase aconteceu. Mas isso justifica mesmo uma vida em fuga?
terça-feira, 11 de outubro de 2016
A composição de coisas que quero a meu redor me ocupa tanto ou mais que as pessoas ao meu redor.
Natureza, morta.
Não me orgulho disso, tampouco sofro.
O motivo permanece fragmentário. Obscuro. Apenas o exame crítico e minucioso aplaca, temporariamente, a dor de não saber e ter que continuar.
Não era, afinal, tão difícil se entreter com cortinas, luminárias e pendentes. Não era em absoluto fútil escolher um sofá. Cada cadeira, almofada e panela, índices de uma decisão arbitrária: não escorrer. Forma luminosa de signos decisivos.
Natureza, morta.
Não me orgulho disso, tampouco sofro.
O motivo permanece fragmentário. Obscuro. Apenas o exame crítico e minucioso aplaca, temporariamente, a dor de não saber e ter que continuar.
Não era, afinal, tão difícil se entreter com cortinas, luminárias e pendentes. Não era em absoluto fútil escolher um sofá. Cada cadeira, almofada e panela, índices de uma decisão arbitrária: não escorrer. Forma luminosa de signos decisivos.
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
Lendo S. Weil compreendi que devemos escrever sobre as necessidades humanas. como não sou cristã como ela, as necessidades humanas são, para mim, as minhas necessidades. Digo isso porque já faz algum tempo que preciso escrever sobre a necessidade de céu e de sol. é preciso ver o céu e sentir a luz do sol tanto quanto é preciso comer um pouco todos os dias, beber um pouco de água e algum álcool. Experimentei viver sem isso por alguns meses e tive a certeza absoluta que aquela situação é insustentável, do ponto de vista de se manter vivo, a médio prazo. Não sei se isso se passa com todas as pessoas de todos os tempos. Provavelmente não.
Talvez isso se deva a tenra infância, vivida entre a roça grande e a casa dos avós, mais no interior. Talvez se deva a algo mais profundo, uma semelhança maior com certos tipos de vegetais, esses que precisam de luz.
Talvez, ainda talvez, seja um traço absolutamente não-ocidental, uma espécie de tropicalidade da alma e do corpo.
são realmente muitas hipóteses a serem avaliadas.
Talvez isso se deva a tenra infância, vivida entre a roça grande e a casa dos avós, mais no interior. Talvez se deva a algo mais profundo, uma semelhança maior com certos tipos de vegetais, esses que precisam de luz.
Talvez, ainda talvez, seja um traço absolutamente não-ocidental, uma espécie de tropicalidade da alma e do corpo.
são realmente muitas hipóteses a serem avaliadas.
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
a maior parte é sempre a parte que menos importa. isso é quase sempre verdade. é verdade também que quase tudo nos é obscuro, e que a escuridão brilha para quem tem coragem de tentar ver. talvez fosse preciso repensar o entre-lugar para entender que o entre é mais um estar na curva, um ver de soslaio. dai a sensação de estar em trânsito, a caminho, porvir. Não saber ainda. Não é confortável, não é belo, muito menos sereno. querer estar aí, nesse lugar, ocupá-lo, exige uma força resiliente, não ativa, desesperada e calma. Nem sempre é possível.
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